domingo, 13 de dezembro de 2009

B Fachada no DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Aqui e aqui fala-se da "consagração de um talento", "do primeiro grande disco do resto da sua carreira" e da vida das canções.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diabo na Cruz no ÍPSILON

(click para aumentar). Hoje há bailarico no MUSICBOX!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ricardo Rocha "Luminismo"

Denomina-se de Luminismo a técnica pictórica associada a um conjunto de pintores norte-americanos de finais do século XIX. Uma espécie de movimento apócrifo que descreve essencialmente características comuns observadas na arte paisagista de Martin Johnson Heade, Fitz Hugh Lane, Frederic Edwin Church ou Sanford Robinson Gifford. Une-os um delicado tratamento da luz, a exploração de atmosferas contemplativas conseguidas através de traços precisos e da eliminação das marcas de pinceladas, a sugestão de superfícies lisas e quase acetinadas – nas quais qualquer contraste assume uma dimensão espiritual – ou, ainda, a sedução por um mundo natural em que os fluxos se suspendem em ambiências capazes de, no limite, perturbar pela sua impessoalidade. Distingue-se na soma destas obras uma propriedade meditativa mas nem sempre pacífica, determinada por elementos refulgentes que simultaneamente coloram – e resistem a – representações da mais tranquila aparência.

Esta poética definição não explica tudo, mas dirá qualquer coisa de importante sobre as composições de Ricardo Rocha. É certo que à primeira vista talvez as turve mais do que aclare, mas a sua audição permite retirar-lhe uns quantos véus. Porque a referência a uma era distante desta que as vê nascer é só como uma neblina matinal. E à partida, no que é uma ideia central em “Luminismo”, esclarece que apenas por uma enorme ausência revelam estas peças para Guitarra Portuguesa no CD I sintomas de modernidade. Quando o seu paradigma será outro: o da recuperação do tempo perdido.

Isto é: Ricardo Rocha sabe melhor que ninguém que a sua linguagem não deriva de nenhuma escola. Muito menos pretende espelhar a contemporaneidade – em última instância porque esta lhe parece inexistente. Tivessem sido as coisas diferentes e, quem sabe, talvez no dealbar do século XX se houvesse verificado um interesse de compositores e académicos por este instrumento popular: tendo-se criado métodos, escolas, obras, escrito livros, desbravado caminhos, alargado horizontes. Mas não: independentemente da qualidade dos seus instrumentistas, a Guitarra Portuguesa não encontrou espaço para se desenvolver fora do campo estrito do fado. E a carência de um repertório solista consagrou-a a funções específicas de acompanhamento. Olhando para trás, perante o campo de possibilidades interpretativas e composicionais que os avanços estéticos e técnicos do último século testemunharam, há mágoa que assim tenha sido. É trágico e quase absurdo e ainda assim um milagre que se reconheçam excepções: Carlos Paredes e Pedro Caldeira Cabral, que Ricardo interpreta mas de quem tanto difere, procuraram uma espécie de ‘terceira via’ para um veículo que reclamava a dignidade de poder um dia exprimir directamente novas ideias. Por isso, parte de “Luminismo” é quase um lamento e uma saudade por tudo aquilo que não foi. Uma invenção do passado. Mas é também, sempre e sobretudo, um exclamativo processo que irradia luz sobre o invisível: sobre esta coisa de, hoje, na Guitarra Portuguesa, pouca gente fazer eco destas preocupações, de permanecer uma incógnita o seu futuro, de sustentar-se sempre com o mesmo o seu corpo.

Ricardo Rocha tem consciência do que se passou mas ainda mais lhe dirá respeito o que não aconteceu. Só que, em vez de saltar sobre este buraco negro de décadas, prefere mergulhar nas suas profundezas até lhe encontrar a origem e, aí, cometer a loucura de arriscar começar tudo de novo.

Luminismo”, agora na soma dos seus dois discos, despido da pretensão que lhe atribui a inevitabilidade factual e antes que o arruíne qualquer reflexão, é um arroubo sensual. Tudo nele se inscreve como um arrebatamento. As melodias perseguem ou invadem-se por imagens. Estão, por vezes, saturadas de cor, noutras tornando exacto o contraste que melhor as traduz. Adivinha-se uma obsessiva luta em busca de tanta clareza. Num equilíbrio de dramática fragilidade, expressam ideias complexas e oferecem soluções sensorialmente desarmantes. As peças para piano, interpretadas por Ingeborg Baldaszti, referenciam directamente Scriabin e o Serialismo: e é verdade que encerram as primeiras o mistério do russo e as segundas a rigorosa determinação que se associa por exemplo ao Pierre Boulez de inícios da década de 50. De certa forma, ajudam a desvendar alguns dos segredos das peças para Guitarra Portuguesa. Mas não são umas consequência de outras. Justificam as de piano a frase tanta vez repetida por Ricardo de que é esse o seu instrumento preferido. E, no que é tanto um triunfo quanto uma desgraça, sublinham a impressão superficial de que reagem mais as de Guitarra contra correntes tradicionais: apenas por nessas se pressentir o vazio da História.

Na realidade, “Luminismo” é como uma cápsula afundada em nostalgia. Um enlevo que sintetiza tanta música que parece só fazer sentido dentro das suas mais densas correntes. Não devia ser tão único, mas é. Lidemos com isso.

Resumo biográfico:
Ricardo Rocha nasceu em 1974. É neto de Fontes Rocha, o mestre de Guitarra Portuguesa que durante tantos anos acompanhou Amália Rodrigues. Pegou na guitarra do avô ainda mal sabia falar. Ouviu Carlos Paredes, desfez-se e refez-se. Começou a tocar em público na adolescência, ao lado de inúmeros fadistas. Com alguma vergonha e maior relutância estava encontrado o seu instrumento, embora aos 16 anos experimentasse o piano, alterando dramaticamente a sua concepção musical. Aí encontrou a soberba da auto-suficiência enquanto que na guitarra lutava com um instrumento inflexível, com aquelas cordas de aço em altíssima tensão que exigem uma disposição física total. Em meados dos anos 90 chegou aos discos: gravou “Luz Destino” com João Paulo Esteves da Silva, Maria Ana Bobone e Mário Franco e entrou em álbuns de Vitorino, Sérgio Godinho ou, entre outros, Carlos do Carmo. Em 2003 edita em nome próprio “Voluptuária” (Vachier & Associados) e ganha mais prémios do que os que sabia existir (alguns: Prémio Carlos Paredes, Prémio Revelação Ribeiro da Fonte para Jovens Compositores, Prémio Amália Rodrigues para Melhor Guitarra Portuguesa). Está em quase todos os discos de Maria Ana Bobone. Acompanha frequentemente Carlos do Carmo. Em 2004 regista um disco de guitarradas (“Tributo À Guitarra Portuguesa”, de Armandinho a Jaime Santos) para a colecção de fado do jornal Público. Começa a gravar “Luminismo”. Em 2007 produz, com Marcos Magalhães e Ana Quintans, “Sementes do Fado”. Apresenta-se a solo na Casa da Música ou CCB. Recusa mais convites para entrar em discos ou concertos do que os que podemos enumerar mantendo a elegância.
CD I
1 Ténue-o-Sensorialismo
2 Abismo Satânico
3 Lúciferianismo
4 Relativismo Temporal
5 Estudo Convulsianalítico
6 Canto do Trabalho (Carlos Paredes)
7 Porto Santo (Carlos Paredes)
8 Passatempo (Artur Paredes)
9 Dança das Sombras (Pedro Caldeira Cabral)
10 Labirinto das Fragas (Pedro Caldeira Cabral)
11 Baile dos Caretos (Pedro Caldeira Cabral)
12 Luminismo Esplandecente

Ricardo Rocha, Guitarra Portuguesa
CD I gravado em 13, 14 e 21 de Março de 2006, 23 de Outubro de 2006 e 15 de Abril de 2009 no Convento dos Capuchos

CD II
Primeira Parte: Alienação a Skrjabin
1 Misticismo, Invocação Sensual
2 Ténue e Frágil
3 Suave e Doce Almíscar
4 Côr de Candura

Segunda Parte: O Serialismo
5 Obsessiva Sobreposição Compulsiva da Quarta Aumentada
6 Desfragmentação Silenciosa
7 Final do Infinito Eterno
8 Número Sete

Ingeborg Baldaszti, piano
CD II gravado em 25 e 26 de Setembro de 2006 e 9 de Outubro de 2006 no Centro Cultural Olga Cadaval, piano Steinway & Sons Model D-274.

Todas as composições de Ricardo Rocha excepto quando indicado

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

B Fachada no ÍPSILON II

Mário Lopes e o Método de B Fachada. Uma frase: "A música de B Fachada faz-se de uma lírica surpreendente. Ali descobrimos um contador de histórias desalinhado, um habilíssimo encenador de improváveis. Pega em personagens, lança-as ao mundo e, com inegável prazer, mostra-nos como as banalidades da vida podem ser bem mais ricas e complexas que a ficção. Não existe um subtexto moral que nos permita compreendê-las: existe a "incoerência" que Fachada vê todos os dias e que reconhece em toda a gente".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tó Trips na estrada

Tó Trips vai para a estrada. Sexta-Feira toca na Fnac de Guimarães às 18h00 e, às 22h00, no Museu Nogueira da Silva em Braga, com o apoio da RUM. Sábado à noite estará no Teatro Aveirense. A propósito, saiu esta entrevista no Diário de Aveiro (carregue para aumentar):

B Fachada no SOUND+VISION

Nuno Galopim afirma que "há muito que a música portuguesa não ouvia um disco de canções originais deste calibre", sugere que "este é mesmo o primeiro disco do resto da vida" de B Fachada, reconhece que "o álbum, a que justificadamente dá apenas o seu nome, confirma o músico como um cantautor capaz de traduzir o seu tempo e o seu universo" e elege-a como "uma coesa colecção de canções onde não cabe um instante menor". Está tudo (e mais um parágrafo surpresa final) aqui

B Fachada n'A Trompa e blogs

Com disco novo nas lojas, B Fachada está n’A-Trompa e numa série de blogs, como no do João Moço.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Tó Trips "Guitarra 66"

Guitarra 66 from raquel castro on Vimeo.

Segunda-Feira no NIMAS!

Marc Copland & Gary Peacock no EXPRESSO

Diabo na Cruz na BLITZ

Crítica de Rui Miguel Abreu.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

B Fachada "B Fachada"


Amores e desamores, amantes e amigos, viagens e passeios: B Fachada cumpre a promessa e edita ainda em 2009 aquele que, não sendo só sério, é o seu primeiro álbum a sério. Cobre-se de cores outonais, aconchega-se em invernosa prudência e revela com imperturbável clareza a dimensão de um talento que só os mais esperançosos anteciparam nesta exacta medida, toda ela transbordante, impetuosamente juvenil e impossivelmente vívida.

Há um par de anos que B Fachada vem semeando campos. E é da ordem natural das coisas que se provem uns mais férteis do que outros. Por isso, que não se sobressalte quem não apanhou todas as trovas que ao vento lançou. Até porque – nos early years mais irredutíveis que se possa imaginar (EP “Até-Toboso”, Merzbau, 2007; EP “Sings the Lusitanian Blues”, Merzbau 2008; EP “Mini CD (Produzido por Walter Benjamin)”, Merzbau 2008; EP “Viola Braguesa” Merzbau/FlorCaveira 2008; CD “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado”, FlorCaveira 2009) – nem todas indiciavam um domínio tão efectivo da arte da canção quanto aquele que por ora atinge, nem tal propósito serviam.

Confortavelmente homónimo, “B Fachada” – o álbum – é o retrato de quem esperou pela passagem das estações, de quem teve temperança na hora da colheita e soube aproveitar só a fruta madura. Escolheu materiais, acumulou contos, duvidou de algumas coisas e ouviu muitas outras. Nos poucos meses passados desde “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado” testemunhámos um processo que, à falta de termo mais exacto e menos dependente da nossa própria perspectiva, qualificaríamos como… humilde. Longe da contrição, esta humildade em Fachada é de natureza mais prática: valorizar o trabalho, aguçar os sentidos, analisar com rigor o que havia feito e o que desejava vir a fazer, aperfeiçoar-se constantemente. Agora que do estúdio regressou com estas canções tingidas de dourado, necessariamente reflexivas mas nem por isso austeras, percebemos que o seu inverno é só um estado em que derrama luz de forma mais doce e concentrada.

Fachada – sem que por isso se pareça especialmente interessar – obriga-nos a reflectir sobre o tempo. Não é todos os dias que chega um álbum com pouco mais de meia hora capaz de relembrar que a duração de um disco é infinitamente multiplicável. Nessa medida, estas onze canções apontam para um futuro em que, como sempre nestes casos, são a única certeza. Simultaneamente, actuam de forma retroactiva num nostálgico folhetim em que cabem as melhores páginas de um cancioneiro tão recente quão recente é a sua descoberta. Tudo isto terá implicações extraordinariamente profundas, mas, no mínimo, aponta para que o tempo em que vive não possa ser o mesmo em que vivem os outros. Isto é, não é costumeiro – nem aqui nem em lugar algum – que um só activista transtorne assim um ano de música.

Mas nem tudo em Fachada gira em torno de si. Por mais assimiladas no seu léxico autoral que estejam, há por aqui inúmeras referências que, em brincadeira, consideramos sacudir o pó a muitas décadas. Da melodia de ‘Queda do Império’ de Vitorino em ‘A Velha Europa’ aos acordes do ‘Lean on Me’ de Bill Withers na introdução de ‘Só Te Falta Seres Mulher’ – e que os títulos se adeqúem foi tudo menos premeditado, garantimos – há um imenso gosto em evocar, de que o ‘Responso Para Maridos Transviados’ é o exemplo evidente. E a cada dia que passa há mais gente a encontrar provas do que nem se imagina intencional: que ‘Kit de Prestidigitação’ pega no ‘Manual de Prestidigitação’ de Mário Cesariny, que ‘A Bela Helena’ é um blues sacado a Louis Armstrong e King Oliver ou que a capa pisca o olho ao ‘Baile no Bosque’ dos Trovante. E por aí fora conforme mais gente tiver o disco nas mãos. Porque, no limite, é isso que Fachada faz melhor: simular que é – ou que deveria ser – feito por si o mundo que há já na cabeça de cada um. E todos sabemos ser essa a maior ilusão da pop... E a sua maior subtileza.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tó Trips n'A-TROMPA

Em contagem decrescente para a primeira apresentação de "Guitarra 66" numa sala lisboeta (poster aí ao lado), eis a crítica n'A-TROMPA. A palavra a Rui Dinis: “Impressões. São impressões, meus amigos. “Guitarra 66″ é um disco impressivo, um apelo às emoções, um disco marcado pelo que o exterior imprime em nós; todos os dias; quando calha. “Guitarra 66″ é a expressão dessas impressões; (…) É um disco sem segredos; cru; tocado apenas com guitarra clássica – e espaçada percussão; (…) É um avanço corajoso por intrincadas combinações rítmicas, resolvidas superiormente por um dedilhar pouco óbvio. É um encanto. O que ali está é um punhado de sensações diferenciadas, sentidas à velocidade da paisagem; da terra calcorreada. (…) É a tal prova de amor; à terra; à vida; à música; mas essencialmente à sua mulher Raquel, a quem Tó Trips dedica este disco. Não é apenas um disco de guitarra clássica, é essencialmente um disco retrato de paisagens, de paixões, de emoções e de uma certa forma de ser. O ser Tó Trips, por mais estranho que nos possa parecer. É a viagem que é preciso fazer. A viagem de uma vida”..

Diabo na Cruz na TIME OUT

João Miguel Tavares avisa o que traz este Diabo: "Mais ideias e talento e incrustados do que 99% da produção nacional, ranchos folclóricos incluídos. Que é como quem diz: se vir este Diabo entrar-lhe pela casa não chame o exorcista. Deixe-se possuir, que está perante um dos melhores discos do ano".

Henning Sieverts e Jürgen Friedrich na TIME OUT

José Carlos Fernandes mergulha na enxurrada do jazz germânico e quase desagua em Lisboa. Na viagem escreve sobre duas novidades da Pirouet: "Blackbird" de Henning Sieverts (com Chris Speed e John Hollenbeck entre os convidados) e "Pollock" de Jürgen Friedrich (com John Hebert e Tony Moreno).
Ouçam:
Henning Sieverts “Wingswing”
Henning Sieverts “Blues For Alice”
Jurgen Friedrich “I Am Missing Her”
Henning Sieverts “Round Midnight”

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Diabo na Cruz VIROU!

Arre! DIABO NA CRUZ virou tudo. E não é só aquela minhota da capa que de repente se vê num tempo para o qual não tinha bilhete de entrada: é Jorge Cruz a escapar à sua própria biografia e – transformando pó em pátina – a desenterrar uma realidade prematuramente hibernante. Que o faça jubilando memórias e inebriando cúmplices de tendências tão diversas é um pequeno acontecimento. Mas que tenha colocado a voz de Vitorino a abrir o disco – quase como quem vem anunciar um programa de festividades – implica já façanha de outra importância: porque não é fácil arregaçar mangas, enfiar braços pela garganta de uma tradição adentro, de lá arrancar um pedaço de entranhas e esperar que com isso lhe bata mais forte o coração.

Ainda para mais combinando a minúcia de um cirurgião com a força de um ferreiro. Ou melhor, como um mecânico do folclore DIABO NA CRUZ trabalha-lhe o motor e a carroçaria, rasura-lhe contornos, invade-o até lhe descobrir segredos, troca-lhe peças e a partir daí estabelece um novo conjunto de princípios com os quais, para o que der e vier, terá de se haver. E, Roberto Leal que nos perdoe, aí intervém de forma absolutamente singular. Porque percebe que esse corpo há muito inerte – que não quer a morrer-lhe nas mãos – só volta a si com o desfibrilador a puxar pelos joules, a chapa bem quente, a energia em movimento, um épico elenco (atenção ao interior do livreto) e… VIROU!

DIABO NA CRUZ nasce em 2008. Uma nova geração de músicos e escritores de canções, de ideários tangentes, tinha-se aproximado de Jorge Cruz – e vice-versa. João Coração pediu-lhe orientação para um primeiro disco, Tiago Guillul e Samuel Úria convidaram-no para espectáculos dos Ninivitas e Manuel Fúria levou-o a produzir Os Golpes. Relembra ainda concertos em grupo no Arcaz Velho, em Alfama, onde encontrou Bernardo Barata (Feromona), recorda a presença de João Pinheiro (TV Rural) na banda de Coração e reconhece uma génese em trio para novas soluções ao nível da sua produção: “a ideia era deixar tudo sair rápido, naquela ‘corrente de consciência’ beat que serviu de inspiração ao Dylan mais torrencial. Mas descobri no processo que o que me habitava eram os vinis do meu pai… O "Pano Cru" e o "Salão de Festas" do Sérgio Godinho, o "Romances" e "Os Malteses" do Vitorino, o "Pois Canté" do GAC, o "Histórias de Viajeiros" e o "Por Este Rio Acima" do Fausto, o "Coisas do Arco da Velha" da Banda do Casaco, o "Com As Minhas Tamanquinhas" e o "Cantigas do Maio" do Zeca Afonso”.

A partir daí embarcou-se numa aventura de regras desconhecidas. Até que, no Outono de 2008, o DIABO NA CRUZ se encontrou. A chegada de B Fachada permitiu incorporar mais harmonizações vocais, reconduzindo parte da empreitada até à música de recolha, à tradição oral. João Gil (V. Economics) veio satisfazer uma obsessão pessoal de Cruz com o "This Year's Model", de Elvis Costello. Os adufes foram-se envolvendo com guitarras eléctricas, o punk-funk sincronizado com um teclado meio-Steve Nieve meio-Pop Five Music Inc., os ritmos alimentados a barras energéticas, enfim, nada de muito convencional mas perfeitamente de acordo com o percurso de Cruz. Desenvolvido nas margens da indústria, conta mais de 15 anos com 6 discos editados, todos eles algo diferentes, algo interessantes, algo desacertados. Haverá muito boa gente a defini-lo como alguém que esteve no lugar certo à hora errada. As leis do anacronismo são duras mas parecem finalmente sorrir-lhe.

Em Cruz confundem-se os anos com os Superego – grunge cantado em português, estímulos retirados ao Mangue Beat e manifestos anti-portuguesófobos – ou com um O Pequeno Aquiles intimista e lo-fi. E troca-se a pele do cantor de rua boémio que percorreu as ramblas de Barcelona – enteado de Jorge Palma – com a do cantor romântico com músicas de “Poeira” (NorteSul/SomLivre, 2007) nas novelas. Agora, naturalmente, avessa-se muito mais: biografia e História. Resumi-lo-á assim: “O disco tem na presença do Vitorino um forte simbolismo; ele serve de ponte entre duas margens que viveram separadas durante mais de trinta anos: a da Música Moderna Portuguesa, que acabamos em parte por representar, e a da Música Popular Portuguesa, que tem sido muito mal engavetada na época revolucionária. Há muito que a nossa música carece de um Tropicalismo que venha emancipar-nos e unir-nos, que junte o génio de José Afonso ao de António Variações, sem fronteiras. O DIABO NA CRUZ escolhe a História da Música Popular Brasileira como exemplo e a música anglo-saxónica como influência incontornável. Acredito que existam muitas outras maneiras de convidar a Música Moderna Portuguesa a encontrar-se com a sua raiz. Pois que venham elas!”. Esta é a de DIABO NA CRUZ.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vinil nas lojas FNAC

Daqui seguiram clássicos de Al Green, Aretha Franklin, Bauhaus, Big Star, Bill Evans, Black Sabbath, Caetano Veloso, Charles Mingus, Cure, Elliott Smith, Fairport Convention, John Cale, John Mayall, Lennie Tristano, Marvin Gaye, Motorhead, Mutantes, My Bloody Valentine, Television, Tim Buckley, Uriah Heep, Velvet Underground. Eis algumas capas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os Golpes na FNAC CHIADO

1 de Outubro, Dia Mundial da Música. Celebrando uma das mais marcantes actuações do ano no seu Fórum, a Fnac Chiado torna a convidar Os Golpes. É às cinco da tarde, perfeita hora para abluções.

Rodrigo Amado, Kent Kessler & Paal Nilssen-Love "The Abstract Truth"

Distribuímos nacional e internacionalmente o novo disco de Rodrigo Amado. Eis o que lá por fora dizem Mark Carroto no All About Jazz, Stef no seu blog Free Jazz,a Dusty Groove, Stuart Broomer no Point of Departure, Massimo Ricci no Touching Extremes ou François Couture no Allmusic.

Ricardo Rocha no BAIRRO ALTO (RTP)

Eis um óptimo pretexto para apresentar a nossa próxima edição: "Luminismo", por Ricardo Rocha. Tratar-se-á de um duplo CD, dividido entre peças para guitarra portuguesa solo e peças para piano solo (mais detalhes em breve). Ontem (terça-feira) o Ricardo esteve à conversa com José Fialho Gouveia. Voltaram-se páginas biográficas mais ou menos traumáticas, evitou-se a f-word (fado), falou-se do fim da música e questionou-se a própria existência da guitarra portuguesa. Não podia ter corrido melhor.
Sigam esta ligação!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Norberto Lobo na VOGUE

Na Vogue de Setembro encontram-se estas linhas:

"In Flight" no EXPRESSO

Ex-Wings ainda em vôo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Tó Trips "Esmoriz"

"Guitarra 66" - com primeira edição esgotada - está quase a voltar às lojas.

Fiery Furnaces "The End is Near"

Há no CD e LP "I'm Going Away" e em super máxi.
Este foi o vencedor do concurso promovido pelo WNYC Soundcheck. Por Zachary Bennett.

Double Dagger "Vivre Sans Temps Mort"

Espalhámos o álbum "More" por aí em quantidades ridículas. Esta malha muda aos dois minutos.

Clara Moreno "Miss Sambalanço"

Clara Moreno voltou na onda do sambalanço. Jóia. Bonito Donato ao piano.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009