segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ricardo Rocha no EXPRESSO

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

B Fachada 'Estar À Espera Ou Procurar'

Retirado da apresentação no Auditório do Montepio

Ricardo Rocha no BODYSPACE

Escreveu Nuno Proença: "Ouvir a guitarra de Ricardo Rocha, a forma como parece vibrar apenas em sítios e de maneiras especiais, é seguirmos eufóricos por um caminho que podia ser enroladíssimo, e que de súbito se torna incrivelmente claro. Diz ele que a guitarra magoa. Não admira, quando se tem notas que podiam ser representadas por desenhos de cacos de vidro a pingar sangue. Talvez por isso sentimos que os golpes secos que dá nas cordas são tão planeados como o melhor tiro de prova olímpica. Há um esforço para transcender as limitações. Há uma excelente gestão de espaços e silêncios. Uma capacidade, que talvez nem ele próprio reconheça, de não soar repetitivo. Apetece morder aquelas cordas, e tentar desvendar o seu segredo". Está o texto completo aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ricardo Rocha no ÍPSILON (II)

Mário Lopes escreveu sobre “Luminismo”:
“No disco, ouve-se-lhe a respiração acompanhando o trinado da guitarra. Claro que é uma luta o que por ali vai, mas só o afirmamos porque sabemos da relação conturbada de Ricardo Rocha com o instrumento que o escolheu e do qual não pode agora escapar. Porque o que nos chega, quando o ouvimos, não é uma luta. É aquele som único a desenvolver-se corpo sem se metamorfosear numa outra coisa.

Ricardo Rocha sempre fez questão de afirmar que não é nem poderia ser seguidor de Carlos Paredes porque Paredes iniciou e fechou uma linguagem (a sua, inimitável). Digamos então que Ricardo Rocha, depois de "Voluptuária", e, agora, com este surpreendente "Luminismo" (à guitarra, no CD1, sucedem-se peças para piano, no CD2, com homenagens ao compositor russo Alexander Skrajbin, de um romantismo etéreo, e perturbantes composições serialistas, ambas interpretadas pela austríaca Ingeborg Baldaszti), deixa também inscrita a sua marca na história do instrumento.

O que se ouve em "Luminismo" não é fado. Sendo-o, só o será no sentido em que a guitarra, por mais que tente, não consegue escapar-lhe - é destino inscrito no código genético. Quanto ao mais, Ricardo Rocha transborda: nas dinâmicas conturbadas de "Abismo satânico", no lirismo torrencial da versão de "Dança das sombras", de Pedro Caldeira Cabral, ou na força cava, profunda, que emerge da imensa "Porto Santo", de Carlos Paredes.

Obra incomum pela forma como se apresenta, fiel ao destino da guitarra sem jurar fidelidade ao seu fatalismo, sem ambições de modernização e sem subjugação ao tradicionalismo, "Luminismo" é música inspirada, a música de um percurso único - e da guitarra em que essa música se exprime”.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Melhores do Ano n'A-TROMPA

A Trompa publicou uma versão hiper-realista de Melhores do Ano. Extensível até aos 150 títulos, inclui todos os discos de artistas nacionais que no ano passado colocámos no mercado. Por curiosidade, eis as suas posições:
002 Norberto Lobo “Pata Lenta”
008 Diabo na Cruz “Virou!”
012 Micro Audio Waves “Zoetrope”
013 Ricardo Rocha “Luminismo”
020 B Fachada “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado”
022 Rodrigo Amado “The Abstract Truth”
024 João Lencastre “B-Sides”
041 Tó Trips “Guitarra 66”
044 Smix Smox Smux “Eles São os Smix Smox Smux”
050 João Coração “Muda que Muda”
051 B Fachada “B Fachada”
053 Os Golpes “Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco”
059 Os Quais “Meio Disco”

Melhores do Ano no JORNAL DE LETRAS

O Jornal de Letras publicou a sua lista de dez Melhores Álbuns Portugueses do Ano. Aqui da casa:
1 Norberto Lobo “Pata Lenta”
2 João Coração “Muda que Muda”
5 Tó Trips “Guitarra 66”
10 B Fachada “B Fachada”

B Fachada em Concerto com Entrada Livre

Na próxima Quinta-Feira, dia 14, pelas 18h45, B Fachada apresentará canções do seu novo álbum no Auditório da Sede do Montepio, na Rua do Ouro. A entrada é livre, embora limitada e sujeita a reservas. Vejam aqui como garantir lugar.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ricardo Rocha no ÍPSILON

Mário Lopes entrevistou Ricardo Rocha. A conversa foi publicada dia 31 de Dezembro e acaba assim: “não há futuro nenhum” Destaques:

Mas alguma vez conseguirá a guitarra portuguesa libertar-se do fado?
Não, nunca conseguirá. É uma inconsciência acreditar nisso. No século XX, apareceram dois guitarristas e isso é que é uma coisa fenomenal, tão fenomenal que não poderia acontecer em nenhum outro país. Apareceram apenas o Carlos Paredes e o Pedro Caldeira Cabral, que entregaram toda a sua existência a uma ideia. Foi completamente inglório e em vão, mas ainda bem que o fizeram. Dedicaram a sua vida a tentar pôr a guitarra num determinado nível, completamente distante e dissociado dos fados. (…) Qualquer pessoa que caia na guitarra, que opções tem? Nenhumas. Porque ao mesmo tempo este instrumento foi muito bem conseguido para a primeira função de todas, que é acompanhar. Ou seja, quero transformar isto em quê? Num instrumento de concerto? Não me façam rir, isso é uma anedota. Pago o bilhete para ir ver um concerto desses. Mas bem tocado, não é aquilo que se vê às vezes por aí: "Concerto de guitarra portuguesa com orquestra". Uma paródia deprimente. Qualquer pessoa com o mínimo de lucidez vai ver aquilo e desata a rir.

"Luminismo", o seu novo álbum, é um segundo passo na recuperação do percurso solístico da guitarra portuguesa?
Não é recuperar, é tentar andar para trás com o tempo e preencher esse tempo com uma coisa que esteve sempre ausente. O que este e o outro disco representam para mim é um retroceder no tempo e preenchê-lo com uma linguagem que nunca esteve presente na guitarra, no século XX.

Foi uma experiência isolada, nascida desse encontro feliz, ou veremos Ricardo Rocha, o guitarrista, a compor para piano no futuro?
Acho que nem para piano nem para guitarra. Já estou um bocado farto. Aliás, muito farto. Eu já fiz o que tinha a fazer. Poderia fazer mais peças, mas eu já construí o repertório solístico para a guitarra portuguesa. O que é que isso me traz? O Carlos Paredes era funcionário público e isso foi a sua sorte. Se não tivesse tido a sorte de ter aquele emprego no [Hospital de] São José, uma labuta diária, continuaria a tocar e a compor, mas tocaria no metro e viveria de esmolas. Essa é a verdade. Só no final dos anos 80 e nos anos 90 é que começou a ter umas "tournées", mas no seu apogeu, na sua fase brilhante, não tinha nada. Como é que ele sobreviveria a tocar o instrumento que tocava? Não sobrevivia. Estaria completamente condenado e é um dos maiores génios da guitarra portuguesa. Agora, tudo se mantém. O que é que vale a pena? O que é que se tira daqui? É tudo em vão. Portanto, acho que não vou fazer mais nada.

Mas não existe o desejo artístico de cumprir um percurso, a vontade de concretizar algo a que se entregou?
A ideia do músico romântico encaixa no século XIX, não agora. Agora ninguém acredita em nada. Os valores nem sequer se inverteram, deixaram de existir. As regras do jogo da sociedade também são outras. Esse lado romântico, só se for com uma arma na cabeça, para dar um tiro. É tudo inglório, tudo em vão. E aquilo que não o é, é descartável. Usar e deitar fora. Não nasci no século XXI e não tenho nada a ver com o que se passa agora. Não me enquadro nesta histeria, neste relativizar de tudo, na ausência de selectivismo. Tudo vale o mesmo, tudo é igual. Portanto, não há futuro nenhum. Ir acompanhando, fazendo umas coisas... futuro nenhum.

sábado, 2 de janeiro de 2010

2009

Foi um ano importante e basta ir por aí abaixo, post atrás de post, para perceber porquê. Obrigado a todos os que o permitiram. Para além do essencial - aquilo para o qual trabalhámos e tudo o que reclamou espaço nas nossas vidas - houve mais música a fazer sentido. Eis as nossas listas individuais:

Agustí Fernández “Un Llamp que no s’Acaba Mai” (Emanem)
Akira Sakata “Friendly Pants” (Family Vineyard)
Bill Orcut “A New Way to Pay Old Debts” (Palilalia)
Bob Dylan “Together Through Life” (Columbia)
Bonnie ‘Prince’ Billy “Beware” (Drag City)
Caboladies “Crowded Out Memories” (Gneiss Things)
Carlos Martinez “Atahualpa Yupanqui – Obra Completa para Guitarra” (Acqua)
Dave Rawlings Machine “A Friend of a Friend” (Acony)
Dolores Duran “Entre Amigos” (Biscoito Fino)
Ducktails “Ducktails” (Not Not Fun)
Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble “The Moment’s Energy” (ECM)
Flower-Corsano Duo “The Four Aims” (VHF)
Franco & le TPOK Jazz “Francophonic Vol. 2 (1980-1988)” (Sterns)
High Wolf “Animal Totem” (Not Not Fun)
Ken Vandermark, Barry Guy & Mark Sanders “Fox Fire” (Maya)
Kronos Quartet “Floodplain” (Nonesuch)
Larry Jon Wilson “Larry Jon Wilson” (Drag City)
Maher Shalal Hash Baz “C'est la Dernière Chanson” (K)
Okkyung Lee, Peter Evans & Steve Beresford “Check For Monsters” (Emanem)
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou “Echos Hypnotiques 1969-1979” (Analog Africa)
Polwechsel & John Tilbury “Field” (Hatology)
Ran Blake “Driftwoods” (Tompkins Square)
Silver Bullets “Free Radical” (Stunned)
Staff Benda Bilili “Très Très Fort” (Crammed)
Vários “Black Rio 2” (Strut)
Vários “Legends of Benin” (Analog Africa)
Vários “The World is Shaking: Cubanismo from the Congo 1954-1955” (Honest Jon’s)
Vários “Tudo Ben (Jorge Ben Covered)” (Mr. Bongo)
Wadada Leo Smith & Jack DeJohnette “America” (Tzadik)
Who Trio “Less is More” (Clean Feed)
(João Santos)

Animal Collective “Merriweather Post Pavillion” (Domino)
Bill Orcutt “A New Way To Pay Old Debts” (Palilalia)
Bob Dylan “Together Through Life” (Columbia)
Caboladies “Crowded Out Memory” (Gneiss Things)
Flower-Corsano Duo “The Four Aims” (VHF)
Kevin Drumm “Imperial Horizon” (Hospital)
Lawrence English “A Colour for Autumn” (12k)
Lightning Bolt “Earthly Delights” (Load)
Matrix Metals “Flamingo Breeze” (Olde English Spelling Bee)
Peter Broderick “Ten Duets” (Digitalis)
Silver Bullets “Free Radical” (Stunned)
Sir Richard Bishop “The Freak of Araby” (Drag City)
Sun Araw “Heavy Deeds” (Not Not Fun)
Super Minerals “Cluster” (Stunned)
Willie Lane “Known Quantity” (Cord-Art)
(Rui Ribeiral)

DJ Whiteowl & Massive Trip Present “Jay-Z & BIG Pt 1” (Mixtape)
Sensational & Spectre “Acid and Bass” (Wordsound)
PPP “Abundance” (Ubiquity)
David S. Ware “Shakti” (AUM Fidelity)
Márcio Local “Adventures in Samba Soul”(Luaka Bop)
Exile “Radio” (Plug Research)
Vários “Panama! 2: Latin, Calypso & Funk on the Isthmus 1967-77” (Soundway)
Kid Cudi "Man on the Moon: The End of Day" (Motown)
Lee Fields & the Expressions “My World” (Truth & Soul)
Steve Kuhn Trio “Mostly Coltrane” (ECM)
Nicolas Masson Parallels “Thirty Six Ghosts” (Clean Feed)
Bill Orcutt “A New Way to Pay Old Debts” (Palilalia)
Sa-Ra Creative Partners “Nuclear Evolution: The Age Of love” (Ubiquity)
Tony Malaby's Apparitions “Voladores” (Clean Feed)
PornoSonic & Ron Jeremy “Unreleased 70's Porno Music” (J-Bird)
Bill Cosby “Talks to Kids About Drugs” (Uni)
The Heliocentrics & Mulatu Astatke “Inspiration Information” (Strut)
Shafiq Husayn “En' A-Free-Ka” (Plug Research)
Method Man/Redman “Blackout! Vol. 2” (Def Jam)
BK-One with Benzilla “Rádio do Canibal” (Rhymesayers)
(Sérgio Gonçalves)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Melhores do Ano no PORTUGAL REBELDE

O Portugal Rebelde publicou a sua lista de Melhores discos Portugueses de 2009 com B Fachada em destaque. Aqui da casa:
01. B Fachada "B Fachada"
05. Os Golpes "Cruz Vermelha sobre Fundo Branco"
06. Norberto Lobo "Pata Lenta"
07. Tó Trips "Guitarra 66"
10. Diabo na Cruz "Virou!"

Melhores do Ano na BLITZ

Aqui e aqui a Blitz fez o seu balanço dos Melhores Álbuns Nacionais de 2009. Destaque para Norberto Lobo, com "Pata Lenta", na segunda posição Micro Audio Waves na oitava e Os Golpes na nona No Top30 aparecem ainda Diabo na Cruz, João Coração e Tó Trips.

Melhores do Ano no SOUND + VISION

Nuno Galopim elegeu os melhores discos de 2009. O disco nacional do ano foi o de B Fachada. Na lista cabem ainda Os Quais e Micro Audio Waves.

B Fachada na BLITZ

sábado, 26 de dezembro de 2009

Melhores do Ano no DIÁRIO DE NOTÍCIAS

”Enquanto único repetente no top ten dos melhores discos nacionais do ano, B Fachada é, naturalmente, a figura que emerge de uma lista dominada pela edição independente”
Do balanço escrito por Luís Filipe Rodrigues extraímos estas frases: “B Fachada (…) lançou em 2008 três EP promissores (…). Os primeiros álbuns chegaram este ano. Primeiro, em Abril, apareceu Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado, com o selo da FlorCaveira. Em Dezembro chegou o disco homónimo, (…) que entra directamente para a história da música portuguesa. Mas o ano começou (…) com o primeiro Meio Disco de Os Quais (…) que apresentou a Amor Fúria enquanto editora independente. (…) Continuou com edições de gente como Os Golpes (…). Mesmo que passe ao lado dos ouvintes, muitos partilham da mesma distribuidora. Falamos da Mbari que há um ano levou a FlorCaveira até às lojas, que hoje distribui os discos da Amor Fúria, que continuou com B Fachada quando o cantor/compositor se separou da editora protestante. E foi a mesma distribuidora que colocou nos escaparates os discos de Norberto Lobo ou Tó Trips”.

No Top10:
1 B Fachada
B Fachada
Edição de Autor

2 Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco
Os Golpes
Amor Fúria

4 Meio Disco
Os Quais
Amor Fúria

7 Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado
B Fachada
FlorCaveira

Na lista do Jazz, Rui Branco incluiu na quinta posição "Insight", o disco de duetos de Gary Peacock e Marc Copland (Pirouet).

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Melhores do Ano no SAPO.PT

A secção de cultura do Sapo fez a sua lista de
Melhores discos Portugueses de 2009. Além do Norberto, e com distribuição MBARI, estão por lá Os Quais e os Micro Audio Waves.

B Fachada no EXPRESSO

Melhores do Ano no ÍPSILON (PÚBLICO)

Lista completa aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Diabo na Cruz no EXPRESSO

Jorge Manuel Lopes diz que “"Virou!" é o mais eufórico disco até agora saído da comunidade FlorCaveira e a confirmação do talento de Jorge Cruz, o mentor dos Diabo na Cruz, como um compositor e produtor que sabe que a distância entre a pop e a música tradicional pode ser nenhuma - e com sageza para fazer uma festa nesse território comum”.

Melhores do Ano no COTONETE

”Pata Lenta” é o 6º álbum do ano para a Cotonete. Logo a seguir na lista vêm Diabo na Cruz (FlorCaveira) e Micro Audio Waves.

B Fachada no DISCO DIGITAL

Escreve Davide Pinheiro: “«B Fachada» não vive fechado em si próprio. Referências a «Queda do Império», de Vitorino, ou a Bill Withers só engrandecem um artista que tem tudo para ser grande. E, aliás, já o é.”.

B Fachada no BODYSPACE

Escreve Nuno Catarino: “este é, talvez, o melhor disco de canções pop(ulares) em português gravado desde, hum, desde que Sérgio Godinho gravou Coincidências. Ou desde que Vitorino gravou Eu que me comovo por tudo e por nada. Ou desde que António Variações gravou Dar e Receber. Ou desde que José Cid editou o último best of. Perdoe-se o eventual exagero, fruto do excesso de audições consecutivas, na procura de uma explicação para o magnetismo deste disco”.

B Fachada no PORTUGAL REBELDE

Na última edição do ano do Portugal Rebelde, António Manuel recebeu B Fachada, ali a partir do minuto 35.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tó Trips nas QUINTAS DE LEITURA do TEATRO CAMPO ALEGRE

É hoje. Na mesma noite: Vasco Gato, Catarina Nunes de Almeida, Pedro Lamares, Sandra Filipe, Sónia Baptista, Marta Bernardes, Henrique Fernandes e Balla Prop. Para seguir no blog das Quintas de Leitura. E eis mais um lindo vídeo da Raquel:

Rua da Inquietude from raquel castro on Vimeo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

B Fachada no DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Aqui e aqui fala-se da "consagração de um talento", "do primeiro grande disco do resto da sua carreira" e da vida das canções.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diabo na Cruz no ÍPSILON

(click para aumentar). Hoje há bailarico no MUSICBOX!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ricardo Rocha "Luminismo"

Denomina-se de Luminismo a técnica pictórica associada a um conjunto de pintores norte-americanos de finais do século XIX. Uma espécie de movimento apócrifo que descreve essencialmente características comuns observadas na arte paisagista de Martin Johnson Heade, Fitz Hugh Lane, Frederic Edwin Church ou Sanford Robinson Gifford. Une-os um delicado tratamento da luz, a exploração de atmosferas contemplativas conseguidas através de traços precisos e da eliminação das marcas de pinceladas, a sugestão de superfícies lisas e quase acetinadas – nas quais qualquer contraste assume uma dimensão espiritual – ou, ainda, a sedução por um mundo natural em que os fluxos se suspendem em ambiências capazes de, no limite, perturbar pela sua impessoalidade. Distingue-se na soma destas obras uma propriedade meditativa mas nem sempre pacífica, determinada por elementos refulgentes que simultaneamente coloram – e resistem a – representações da mais tranquila aparência.

Esta poética definição não explica tudo, mas dirá qualquer coisa de importante sobre as composições de Ricardo Rocha. É certo que à primeira vista talvez as turve mais do que aclare, mas a sua audição permite retirar-lhe uns quantos véus. Porque a referência a uma era distante desta que as vê nascer é só como uma neblina matinal. E à partida, no que é uma ideia central em “Luminismo”, esclarece que apenas por uma enorme ausência revelam estas peças para Guitarra Portuguesa no CD I sintomas de modernidade. Quando o seu paradigma será outro: o da recuperação do tempo perdido.

Isto é: Ricardo Rocha sabe melhor que ninguém que a sua linguagem não deriva de nenhuma escola. Muito menos pretende espelhar a contemporaneidade – em última instância porque esta lhe parece inexistente. Tivessem sido as coisas diferentes e, quem sabe, talvez no dealbar do século XX se houvesse verificado um interesse de compositores e académicos por este instrumento popular: tendo-se criado métodos, escolas, obras, escrito livros, desbravado caminhos, alargado horizontes. Mas não: independentemente da qualidade dos seus instrumentistas, a Guitarra Portuguesa não encontrou espaço para se desenvolver fora do campo estrito do fado. E a carência de um repertório solista consagrou-a a funções específicas de acompanhamento. Olhando para trás, perante o campo de possibilidades interpretativas e composicionais que os avanços estéticos e técnicos do último século testemunharam, há mágoa que assim tenha sido. É trágico e quase absurdo e ainda assim um milagre que se reconheçam excepções: Carlos Paredes e Pedro Caldeira Cabral, que Ricardo interpreta mas de quem tanto difere, procuraram uma espécie de ‘terceira via’ para um veículo que reclamava a dignidade de poder um dia exprimir directamente novas ideias. Por isso, parte de “Luminismo” é quase um lamento e uma saudade por tudo aquilo que não foi. Uma invenção do passado. Mas é também, sempre e sobretudo, um exclamativo processo que irradia luz sobre o invisível: sobre esta coisa de, hoje, na Guitarra Portuguesa, pouca gente fazer eco destas preocupações, de permanecer uma incógnita o seu futuro, de sustentar-se sempre com o mesmo o seu corpo.

Ricardo Rocha tem consciência do que se passou mas ainda mais lhe dirá respeito o que não aconteceu. Só que, em vez de saltar sobre este buraco negro de décadas, prefere mergulhar nas suas profundezas até lhe encontrar a origem e, aí, cometer a loucura de arriscar começar tudo de novo.

Luminismo”, agora na soma dos seus dois discos, despido da pretensão que lhe atribui a inevitabilidade factual e antes que o arruíne qualquer reflexão, é um arroubo sensual. Tudo nele se inscreve como um arrebatamento. As melodias perseguem ou invadem-se por imagens. Estão, por vezes, saturadas de cor, noutras tornando exacto o contraste que melhor as traduz. Adivinha-se uma obsessiva luta em busca de tanta clareza. Num equilíbrio de dramática fragilidade, expressam ideias complexas e oferecem soluções sensorialmente desarmantes. As peças para piano, interpretadas por Ingeborg Baldaszti, referenciam directamente Scriabin e o Serialismo: e é verdade que encerram as primeiras o mistério do russo e as segundas a rigorosa determinação que se associa por exemplo ao Pierre Boulez de inícios da década de 50. De certa forma, ajudam a desvendar alguns dos segredos das peças para Guitarra Portuguesa. Mas não são umas consequência de outras. Justificam as de piano a frase tanta vez repetida por Ricardo de que é esse o seu instrumento preferido. E, no que é tanto um triunfo quanto uma desgraça, sublinham a impressão superficial de que reagem mais as de Guitarra contra correntes tradicionais: apenas por nessas se pressentir o vazio da História.

Na realidade, “Luminismo” é como uma cápsula afundada em nostalgia. Um enlevo que sintetiza tanta música que parece só fazer sentido dentro das suas mais densas correntes. Não devia ser tão único, mas é. Lidemos com isso.

Resumo biográfico:
Ricardo Rocha nasceu em 1974. É neto de Fontes Rocha, o mestre de Guitarra Portuguesa que durante tantos anos acompanhou Amália Rodrigues. Pegou na guitarra do avô ainda mal sabia falar. Ouviu Carlos Paredes, desfez-se e refez-se. Começou a tocar em público na adolescência, ao lado de inúmeros fadistas. Com alguma vergonha e maior relutância estava encontrado o seu instrumento, embora aos 16 anos experimentasse o piano, alterando dramaticamente a sua concepção musical. Aí encontrou a soberba da auto-suficiência enquanto que na guitarra lutava com um instrumento inflexível, com aquelas cordas de aço em altíssima tensão que exigem uma disposição física total. Em meados dos anos 90 chegou aos discos: gravou “Luz Destino” com João Paulo Esteves da Silva, Maria Ana Bobone e Mário Franco e entrou em álbuns de Vitorino, Sérgio Godinho ou, entre outros, Carlos do Carmo. Em 2003 edita em nome próprio “Voluptuária” (Vachier & Associados) e ganha mais prémios do que os que sabia existir (alguns: Prémio Carlos Paredes, Prémio Revelação Ribeiro da Fonte para Jovens Compositores, Prémio Amália Rodrigues para Melhor Guitarra Portuguesa). Está em quase todos os discos de Maria Ana Bobone. Acompanha frequentemente Carlos do Carmo. Em 2004 regista um disco de guitarradas (“Tributo À Guitarra Portuguesa”, de Armandinho a Jaime Santos) para a colecção de fado do jornal Público. Começa a gravar “Luminismo”. Em 2007 produz, com Marcos Magalhães e Ana Quintans, “Sementes do Fado”. Apresenta-se a solo na Casa da Música ou CCB. Recusa mais convites para entrar em discos ou concertos do que os que podemos enumerar mantendo a elegância.
CD I
1 Ténue-o-Sensorialismo
2 Abismo Satânico
3 Lúciferianismo
4 Relativismo Temporal
5 Estudo Convulsianalítico
6 Canto do Trabalho (Carlos Paredes)
7 Porto Santo (Carlos Paredes)
8 Passatempo (Artur Paredes)
9 Dança das Sombras (Pedro Caldeira Cabral)
10 Labirinto das Fragas (Pedro Caldeira Cabral)
11 Baile dos Caretos (Pedro Caldeira Cabral)
12 Luminismo Esplandecente

Ricardo Rocha, Guitarra Portuguesa
CD I gravado em 13, 14 e 21 de Março de 2006, 23 de Outubro de 2006 e 15 de Abril de 2009 no Convento dos Capuchos

CD II
Primeira Parte: Alienação a Skrjabin
1 Misticismo, Invocação Sensual
2 Ténue e Frágil
3 Suave e Doce Almíscar
4 Côr de Candura

Segunda Parte: O Serialismo
5 Obsessiva Sobreposição Compulsiva da Quarta Aumentada
6 Desfragmentação Silenciosa
7 Final do Infinito Eterno
8 Número Sete

Ingeborg Baldaszti, piano
CD II gravado em 25 e 26 de Setembro de 2006 e 9 de Outubro de 2006 no Centro Cultural Olga Cadaval, piano Steinway & Sons Model D-274.

Todas as composições de Ricardo Rocha excepto quando indicado

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

B Fachada no ÍPSILON II

Mário Lopes e o Método de B Fachada. Uma frase: "A música de B Fachada faz-se de uma lírica surpreendente. Ali descobrimos um contador de histórias desalinhado, um habilíssimo encenador de improváveis. Pega em personagens, lança-as ao mundo e, com inegável prazer, mostra-nos como as banalidades da vida podem ser bem mais ricas e complexas que a ficção. Não existe um subtexto moral que nos permita compreendê-las: existe a "incoerência" que Fachada vê todos os dias e que reconhece em toda a gente".

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tó Trips na estrada

Tó Trips vai para a estrada. Sexta-Feira toca na Fnac de Guimarães às 18h00 e, às 22h00, no Museu Nogueira da Silva em Braga, com o apoio da RUM. Sábado à noite estará no Teatro Aveirense. A propósito, saiu esta entrevista no Diário de Aveiro (carregue para aumentar):