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“O assunto do ódio por Pega Monstro, por exemplo, fica arrumado com aquele que é o melhor refrão do disco e uma lição para as claques de futebol: “Porque se isto não é música, então faz tu uma canção / e, se eu desafino, canta lá tu, ó meu cabrão”. São apenas duas frases emparelhadas numa canção chamada “Fetra” (tatuagem de gang) e provavelmente um dos mais eficazes “direitos de resposta” de que me recordo ultimamente. “Fetra” faz-nos pensar também em como a simplicidade pode ser a postura mais punk num país com tantos chicos espertos vaidosos pela sua sofisticação” escreve o Miguel Arsénio.
Escreve o Paulo Cecílio: “Olham para Jay Reatard e Nathan Williams com reverência, mas seria insensato, quase tanto como os gritos constantes de "inaptidão" (para não utilizar outras expressões sabujas que se têm lido por aí escritas por gente sem sentido de humor que depois acha os Pavement a melhor merda de sempre), colocá-las ao nível de uma tradução. São muito mais do que isso, e os trinta minutos de Pega Monstro comprovam-no. Doze canções apenas e todas elas um antídoto contra a banalidade que se vive pela capital, onde cabem piadas privadas, momentos românticos twee e semi-covers de Cocteau Twins. E irão com certeza espalhar-se por todo o país, basta que haja um puto aborrecido em qualquer lado. É preciso salientar algo, fazer desta uma crítica a sério e não um simples agradecimento apaixonado? Então, claro, escolha-se aquele que é para já o refrão de 2012: há gajas que gostam de levar na boca. Outras há que gostam de fazer música. Para gáudio nosso”.