sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
B Fachada "Criôlo" (Texto de Apresentação)
Foi preciso esperar
até 2009 para se identificar mais objectivamente a crioulização em B Fachada: primeiro no reggae ‘Kit de Prestidigitação’, com que
fechava o seu álbum homónimo, e, determinantemente, no akizombado ‘Monogamia’, a sua contribuição para a compilação “Novos
Talentos”, da Fnac. Depois, no Verão de 2010, surgia em “Há Festa na Moradia”
um ‘Joana Transmontana’ a equilibrar toada ultramontana com uma batida relaxada
extraída ao semba. Mas, mais do que
numa justaposição elementar, todo esse EP reflectia uma certa noção de amálgama
miscigenada no âmago do seu material, para não falar já, em termos mais gerais,
no seu método.
“B Fachada é Pra
Meninos”, o CD de 2010, embora num escopo muito específico, abria com um
‘Tó-Zé’ a evocar padrões rítmicos afrobrasileiros e confirmava a predisposição espiritualmente
tropicalista na abordagem de tradições alóctones que, no Verão do mesmo ano,
“Deus, Pátria e Família” confirmou em pleno, com a sua cadência caribenha
temperada por sintetizadores sacados ao livro de estilo de bandas congolesas. A
leitura parecerá apócrifa, certamente. E muitos mais casos na sua extensa
discografia apontam em direcção contrária. Mas servirá para transmitir esta
ideia de que – em pensamento – havia já na produção de B Fachada um ideário
crioulo antes de um álbum chamado “Criôlo”.
Esse – do inventivo
balanço de ‘Afro-Xula’ (que, em tese, pega numa síncope angolana para marcar
uma toada da chula, a dança do Alto Douro que marcou a música nordestina
brasileira, a que, por isso mesmo, se contrapõe um acordeão a evocar forró) ao
dub de ‘Quem Quer Fumar com o B Fachada’ (que saúda um Lee Perry que, basta
ouvir ‘I Am the Upsetter’, não era estranho ao malhão) – torna agora explícito
um certo interesse por aquilo que, para descrever influências latino-americanas
no flamenco, por exemplo, os espanhóis chamam de canções de “ida y vuelta”. Mas, numa triangulação entre
Portugal, Brasil e África Lusófona, não interessando a ordem de partida, “Criôlo”
não deixa de ser também um disco sobre essas relações e a ausência dessas
relações ao longo dos anos. Utilizando quase exclusivamente sons fora de moda,
ou pelo menos dessintonizados com o presente, o disco especula sobre uma
crónica dificuldade na generalidade da música popular portuguesa em assimilar
organicamente e generosamente, que não em regime de anedotário ou mimese, a
música do atlântico sul (mesmo se de semelhante processo floresceu toda a mais
significativa produção do século passado: tango, fado, samba, blues, rumba,
jazz, r&b, afrobeat, etc).
Simulando arranjos
que em tempos serviram a mais genérica música de massas, Fachada sugere ainda a
possibilidade da música popular não ter de depender exclusivamente da
sobrevalorizada expressão de autor (num país onde por vezes parecem só haver casos
e não movimentos). Mas, embora paradoxal, é também sintomático que o sublinhar dessas
diferenças entre o popular e o tradicional, o individual e o colectivo, o rural
e o urbano, etc, reafirme a sua própria assinatura individual. A um CD de
terminar o plano de edições em vigor desde 2009, com referências ao 25 de Abril
ou às possibilidades sinecuristas no exercício do poder misturadas com vinhetas
do quotidiano, não sabemos se faz pensar, mas dançar, sim, com certeza.
sábado, 28 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
terça-feira, 17 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Éme "Gancia" (STREAMING E DOWNLOAD GRATUITO)
Este “Gancia” é o
primeiro álbum de um artista a solo no seio da Cafetra. E, numa repentista
tangente entre folclore onírico e pop fantasista, aquele que, num contexto de música
popular, consegue, sem renunciar ao equilíbrio entre imediatismo de
procedimentos e pungência emocional que parece ser comum ao ideário dos colegas
de editora, sugerir os mais inesperados caminhos. Diz o Éme: “acho que este disco é importante para a
Fetra porque é o primeiro longa-duração que se afasta do espectro de rock
abrasivo a que, provavelmente, mais pessoas tiveram acesso e a que imediatamente
nos associaram. Mostra também que nunca pensámos na Fetra como um colectivo com
ideias inequívocas ou consensuais mas antes como um espaço em que se acolhem e complementam
as ideias de cada um”.
O espírito colectivista
da Cafetra tem sido, aliás, um dos principais motores para os elogios
granjeados pelos seus activistas, principalmente num meio em que muitas vezes
se mistifica esse valor com propósitos sinecuristas. Um álbum de um escritor de
canções parece contrariar essa ética, mas Éme é claro: “Nas canções que faço há sempre
trabalho que não é meu – até porque é a observação dos outros o que lhe dá o
mote. Por isso, este "Gancia" é meu e de amigos meus… na gravação,
mistura, masterização, execução e tudo o que se possa imaginar. Em casa do Luís
Gravito (Cão da Morte), com a presença regular do Leo (Kimo Ameba, Go Suck a
Fuck, Rabuh Mastah, Putas Bêbadas) e do Filipe Sambado (Cochaise), com os
toques finais do B Fachada, conseguimos o som que tudo isto pedia: caseiro mas
nunca demasiado áspero ou duro. Este som, que dá a vida final aos arranjos e às
canções, parece-me uma das coisas que faz deste disco um objecto algo singular”.
Surpreendente é também o
ambiente relativamente espartano em que respiram parte destas canções. Às vezes
basta um dedilhado – ora mais narcótico, ora mais neurótico – ou um pedal para suster
a estrutura de cada tema. Também isso foi uma preocupação: “tentámos não dar às canções mais do que o
que elas pediam. Não nos interessou a grandiosidade da instrumentação ou o seu
sentido épico. Nos temas de "tom mais confessional" (pior expressão),
fazer o arranjo foi escolher apenas o essencial de um grande número de ideias e
a partir daí construir o estritamente necessário. Tudo o que estivesse a
mais ficava mal”.
É nesse quadro de inegável
sobriedade que sobressaem as características melódicas e harmónicas de Éme. Mas
também nesse particular ele partilha o mérito: “uma das coisas mais importantes do disco é a voz da Júlia. As harmonias
que a Júlia ouve são especiais e mais ninguém as podia fazer. Soam naturais
porque são mesmo. Não há truques, é mesmo assim”.
“Gancia” é a vulnerável revelação de um autor que começa a querer desvendar/(re)inventar
os mistérios do mundo a partir de um quarto e de uma audiência de meia dúzia de
amigos, mas que, pela mais pura honestidade artística, quer também tudo isso
transcender: “o que posso dizer mais é
que estou muito entusiasmado com este disco. É um disco de que gosto muito e é
também um disco que me dá muito espaço para progredir. Espero fazê-lo nos
próximos”.
Ouvir "Gancia" é ver o Éme a partir para o outro lado do espelho.
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