Guitarra 66 from raquel castro on Vimeo.
Segunda-Feira no NIMAS!sexta-feira, 27 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
B Fachada "B Fachada"

Amores e desamores, amantes e amigos, viagens e passeios: B Fachada cumpre a promessa e edita ainda em 2009 aquele que, não sendo só sério, é o seu primeiro álbum a sério. Cobre-se de cores outonais, aconchega-se em invernosa prudência e revela com imperturbável clareza a dimensão de um talento que só os mais esperançosos anteciparam nesta exacta medida, toda ela transbordante, impetuosamente juvenil e impossivelmente vívida.
Há um par de anos que B Fachada vem semeando campos. E é da ordem natural das coisas que se provem uns mais férteis do que outros. Por isso, que não se sobressalte quem não apanhou todas as trovas que ao vento lançou. Até porque – nos early years mais irredutíveis que se possa imaginar (EP “Até-Toboso”, Merzbau, 2007; EP “Sings the Lusitanian Blues”, Merzbau 2008; EP “Mini CD (Produzido por Walter Benjamin)”, Merzbau 2008; EP “Viola Braguesa” Merzbau/FlorCaveira 2008; CD “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado”, FlorCaveira 2009) – nem todas indiciavam um domínio tão efectivo da arte da canção quanto aquele que por ora atinge, nem tal propósito serviam.
Confortavelmente homónimo, “B Fachada” – o álbum – é o retrato de quem esperou pela passagem das estações, de quem teve temperança na hora da colheita e soube aproveitar só a fruta madura. Escolheu materiais, acumulou contos, duvidou de algumas coisas e ouviu muitas outras. Nos poucos meses passados desde “Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado” testemunhámos um processo que, à falta de termo mais exacto e menos dependente da nossa própria perspectiva, qualificaríamos como… humilde. Longe da contrição, esta humildade em Fachada é de natureza mais prática: valorizar o trabalho, aguçar os sentidos, analisar com rigor o que havia feito e o que desejava vir a fazer, aperfeiçoar-se constantemente. Agora que do estúdio regressou com estas canções tingidas de dourado, necessariamente reflexivas mas nem por isso austeras, percebemos que o seu inverno é só um estado em que derrama luz de forma mais doce e concentrada.
Fachada – sem que por isso se pareça especialmente interessar – obriga-nos a reflectir sobre o tempo. Não é todos os dias que chega um álbum com pouco mais de meia hora capaz de relembrar que a duração de um disco é infinitamente multiplicável. Nessa medida, estas onze canções apontam para um futuro em que, como sempre nestes casos, são a única certeza. Simultaneamente, actuam de forma retroactiva num nostálgico folhetim em que cabem as melhores páginas de um cancioneiro tão recente quão recente é a sua descoberta. Tudo isto terá implicações extraordinariamente profundas, mas, no mínimo, aponta para que o tempo em que vive não possa ser o mesmo em que vivem os outros. Isto é, não é costumeiro – nem aqui nem em lugar algum – que um só activista transtorne assim um ano de música.
Mas nem tudo em Fachada gira em torno de si. Por mais assimiladas no seu léxico autoral que estejam, há por aqui inúmeras referências que, em brincadeira, consideramos sacudir o pó a muitas décadas. Da melodia de ‘Queda do Império’ de Vitorino em ‘A Velha Europa’ aos acordes do ‘Lean on Me’ de Bill Withers na introdução de ‘Só Te Falta Seres Mulher’ – e que os títulos se adeqúem foi tudo menos premeditado, garantimos – há um imenso gosto em evocar, de que o ‘Responso Para Maridos Transviados’ é o exemplo evidente. E a cada dia que passa há mais gente a encontrar provas do que nem se imagina intencional: que ‘Kit de Prestidigitação’ pega no ‘Manual de Prestidigitação’ de Mário Cesariny, que ‘A Bela Helena’ é um blues sacado a Louis Armstrong e King Oliver ou que a capa pisca o olho ao ‘Baile no Bosque’ dos Trovante. E por aí fora conforme mais gente tiver o disco nas mãos. Porque, no limite, é isso que Fachada faz melhor: simular que é – ou que deveria ser – feito por si o mundo que há já na cabeça de cada um. E todos sabemos ser essa a maior ilusão da pop... E a sua maior subtileza.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Tó Trips n'A-TROMPA
Em contagem decrescente para a primeira apresentação de "Guitarra 66" numa sala lisboeta (poster aí ao lado), eis a crítica n'A-TROMPA. A palavra a Rui Dinis: “Impressões. São impressões, meus amigos. “Guitarra 66″ é um disco impressivo, um apelo às emoções, um disco marcado pelo que o exterior imprime em nós; todos os dias; quando calha. “Guitarra 66″ é a expressão dessas impressões; (…) É um disco sem segredos; cru; tocado apenas com guitarra clássica – e espaçada percussão; (…) É um avanço corajoso por intrincadas combinações rítmicas, resolvidas superiormente por um dedilhar pouco óbvio. É um encanto. O que ali está é um punhado de sensações diferenciadas, sentidas à velocidade da paisagem; da terra calcorreada. (…) É a tal prova de amor; à terra; à vida; à música; mas essencialmente à sua mulher Raquel, a quem Tó Trips dedica este disco. Não é apenas um disco de guitarra clássica, é essencialmente um disco retrato de paisagens, de paixões, de emoções e de uma certa forma de ser. O ser Tó Trips, por mais estranho que nos possa parecer. É a viagem que é preciso fazer. A viagem de uma vida”..
Diabo na Cruz na TIME OUT
Henning Sieverts e Jürgen Friedrich na TIME OUT
José Carlos Fernandes mergulha na enxurrada do jazz germânico e quase desagua em Lisboa. Na viagem escreve sobre duas novidades da Pirouet: "Blackbird" de Henning Sieverts (com Chris Speed e John Hollenbeck entre os convidados) e "Pollock" de Jürgen Friedrich (com John Hebert e Tony Moreno).Ouçam:
Henning Sieverts “Wingswing”
Henning Sieverts “Blues For Alice”
Jurgen Friedrich “I Am Missing Her”
Henning Sieverts “Round Midnight”
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Marc Copland & Gary Peacock no ÍPSILON
Escreveu Rodrigo Amado: “ao longo dos treze temas do disco, oito deles da autoria dos músicos, Copland e Peacock conjugam as suas respectivas artes numa interacção profunda com ligação directa à alma das canções, proporcionando-nos um olhar privilegiado, um autêntico "insight", sobre a verdadeira arte do duo”.Ouçam:
Blue In Green
The Wanderer
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Diabo na Cruz VIROU!
Arre! DIABO NA CRUZ virou tudo. E não é só aquela minhota da capa que de repente se vê num tempo para o qual não tinha bilhete de entrada: é Jorge Cruz a escapar à sua própria biografia e – transformando pó em pátina – a desenterrar uma realidade prematuramente hibernante. Que o faça jubilando memórias e inebriando cúmplices de tendências tão diversas é um pequeno acontecimento. Mas que tenha colocado a voz de Vitorino a abrir o disco – quase como quem vem anunciar um programa de festividades – implica já façanha de outra importância: porque não é fácil arregaçar mangas, enfiar braços pela garganta de uma tradição adentro, de lá arrancar um pedaço de entranhas e esperar que com isso lhe bata mais forte o coração. Ainda para mais combinando a minúcia de um cirurgião com a força de um ferreiro. Ou melhor, como um mecânico do folclore DIABO NA CRUZ trabalha-lhe o motor e a carroçaria, rasura-lhe contornos, invade-o até lhe descobrir segredos, troca-lhe peças e a partir daí estabelece um novo conjunto de princípios com os quais, para o que der e vier, terá de se haver. E, Roberto Leal que nos perdoe, aí intervém de forma absolutamente singular. Porque percebe que esse corpo há muito inerte – que não quer a morrer-lhe nas mãos – só volta a si com o desfibrilador a puxar pelos joules, a chapa bem quente, a energia em movimento, um épico elenco (atenção ao interior do livreto) e… VIROU!
DIABO NA CRUZ nasce em 2008. Uma nova geração de músicos e escritores de canções, de ideários tangentes, tinha-se aproximado de Jorge Cruz – e vice-versa. João Coração pediu-lhe orientação para um primeiro disco, Tiago Guillul e Samuel Úria convidaram-no para espectáculos dos Ninivitas e Manuel Fúria levou-o a produzir Os Golpes. Relembra ainda concertos em grupo no Arcaz Velho, em Alfama, onde encontrou Bernardo Barata (Feromona), recorda a presença de João Pinheiro (TV Rural) na banda de Coração e reconhece uma génese em trio para novas soluções ao nível da sua produção: “a ideia era deixar tudo sair rápido, naquela ‘corrente de consciência’ beat que serviu de inspiração ao Dylan mais torrencial. Mas descobri no processo que o que me habitava eram os vinis do meu pai… O "Pano Cru" e o "Salão de Festas" do Sérgio Godinho, o "Romances" e "Os Malteses" do Vitorino, o "Pois Canté" do GAC, o "Histórias de Viajeiros" e o "Por Este Rio Acima" do Fausto, o "Coisas do Arco da Velha" da Banda do Casaco, o "Com As Minhas Tamanquinhas" e o "Cantigas do Maio" do Zeca Afonso”.
A partir daí embarcou-se numa aventura de regras desconhecidas. Até que, no Outono de 2008, o DIABO NA CRUZ se encontrou. A chegada de B Fachada permitiu incorporar mais harmonizações vocais, reconduzindo parte da empreitada até à música de recolha, à tradição oral. João Gil (V. Economics) veio satisfazer uma obsessão pessoal de Cruz com o "This Year's Model", de Elvis Costello. Os adufes foram-se envolvendo com guitarras eléctricas, o punk-funk sincronizado com um teclado meio-Steve Nieve meio-Pop Five Music Inc., os ritmos alimentados a barras energéticas, enfim, nada de muito convencional mas perfeitamente de acordo com o percurso de Cruz. Desenvolvido nas margens da indústria, conta mais de 15 anos com 6 discos editados, todos eles algo diferentes, algo interessantes, algo desacertados. Haverá muito boa gente a defini-lo como alguém que esteve no lugar certo à hora errada. As leis do anacronismo são duras mas parecem finalmente sorrir-lhe.
Em Cruz confundem-se os anos com os Superego – grunge cantado em português, estímulos retirados ao Mangue Beat e manifestos anti-portuguesófobos – ou com um O Pequeno Aquiles intimista e lo-fi. E troca-se a pele do cantor de rua boémio que percorreu as ramblas de Barcelona – enteado de Jorge Palma – com a do cantor romântico com músicas de “Poeira” (NorteSul/SomLivre, 2007) nas novelas. Agora, naturalmente, avessa-se muito mais: biografia e História. Resumi-lo-á assim: “O disco tem na presença do Vitorino um forte simbolismo; ele serve de ponte entre duas margens que viveram separadas durante mais de trinta anos: a da Música Moderna Portuguesa, que acabamos em parte por representar, e a da Música Popular Portuguesa, que tem sido muito mal engavetada na época revolucionária. Há muito que a nossa música carece de um Tropicalismo que venha emancipar-nos e unir-nos, que junte o génio de José Afonso ao de António Variações, sem fronteiras. O DIABO NA CRUZ escolhe a História da Música Popular Brasileira como exemplo e a música anglo-saxónica como influência incontornável. Acredito que existam muitas outras maneiras de convidar a Música Moderna Portuguesa a encontrar-se com a sua raiz. Pois que venham elas!”. Esta é a de DIABO NA CRUZ.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Norberto Lobo na FOXY DIGITALIS
“The entirely new and unique “Pata Lenta” ranges in texture, pace, and cultural influence, but one thing remains constant always—Lobo’s human nature gushing forth all over the room. Skip to whatever track you want, and there he is, telling you a story with six strings, and don’t doubt that it’s true—he doesn’t even look like the kind of guy capable of telling a lie. And I couldn’t be more honest in giving this one 11 out of 10. Well, I’ll play by the rules. But seriously, don’t miss this. Modern acoustic speech has never been this poetic. 10/10”!
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Vinil nas lojas FNAC
Daqui seguiram clássicos de Al Green, Aretha Franklin, Bauhaus, Big Star, Bill Evans, Black Sabbath, Caetano Veloso, Charles Mingus, Cure, Elliott Smith, Fairport Convention, John Cale, John Mayall, Lennie Tristano, Marvin Gaye, Motorhead, Mutantes, My Bloody Valentine, Television, Tim Buckley, Uriah Heep, Velvet Underground. Eis algumas capas.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Os Golpes na FNAC CHIADO
Rodrigo Amado, Kent Kessler & Paal Nilssen-Love "The Abstract Truth"
Distribuímos nacional e internacionalmente o novo disco de Rodrigo Amado. Eis o que lá por fora dizem Mark Carroto no All About Jazz, Stef no seu blog Free Jazz,a Dusty Groove, Stuart Broomer no Point of Departure, Massimo Ricci no Touching Extremes ou François Couture no Allmusic.
Ricardo Rocha no BAIRRO ALTO (RTP)
Eis um óptimo pretexto para apresentar a nossa próxima edição: "Luminismo", por Ricardo Rocha. Tratar-se-á de um duplo CD, dividido entre peças para guitarra portuguesa solo e peças para piano solo (mais detalhes em breve). Ontem (terça-feira) o Ricardo esteve à conversa com José Fialho Gouveia. Voltaram-se páginas biográficas mais ou menos traumáticas, evitou-se a f-word (fado), falou-se do fim da música e questionou-se a própria existência da guitarra portuguesa. Não podia ter corrido melhor.
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
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