quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

B Fachada "O Fim"

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Norberto Lobo nas listas de Melhores do Ano

O "Mel Azul" surgiu um pouco por todo o lado e até ganhou um prémio Time Out. Mantenham-se a par da actividade do Norberto através do seu Facebook.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

terça-feira, 13 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

B Fachada, Minta e João Correia "Os Sobreviventes" (Texto de Apresentação)



Tem tanto por se lhe pegar mas comecemos pela duração: esta reconstrução/recriação/o-que-quiserem do primeiro álbum de Sérgio Godinho, gravado em França em 1971 e editado em Portugal há 40 anos, realizada agora por B Fachada, Francisca Cortesão e João Correia a convite do seu autor (e “ter a sua aprovação é bom demais para pôr em palavras”, diz o João) soma cerca de 15 minutos à original. O que quererá dizer muitas coisas mas, crucialmente, prova que na sua matéria poéticomusical mais básica mas nem por isso menos canónica encontrou o trio uma invulgar plasticidade e aquelas invejáveis células que, mais do que reprodução, permitem uma expansão. 

Não será propriamente de estranhar. Primeiro, porque tendo crescido com a música de Sérgio Godinho já nos anos 80, nenhum deles ignora esse percurso que abraçou o ecletismo sem jamais comprometer um estilo francamente pessoal; segundo, porque lhe identificam um impulso de renovação e diálogo intergeracional ao longo da carreira que desperta a própria chama da transformação; terceiro, porque no espírito de “Os Sobreviventes” encontram, já mais do que uma ânsia, a própria promessa da liberdade (e a capacidade de a questionar) com que nasceram; quarto, porque lhes seria impossível desonrar tudo isso ao se coibirem de imprimir nestas canções algumas das marcas da agenda criativa contemporânea de cada um. A isto alude Fachada quando explica: “descobrir a canção abstracta a partir da versão de 71 e reconstrui-la na nossa língua foi o estudo mais eficaz que podíamos fazer com o património de Godinho. Fazê-lo de maneira a que o próprio reconheça não só a música dele mas também a nossa faz tudo valer a pena”.

Somando a biografia artística de B Fachada, Francisca Cortesão (líder dos Minta & the Trout Brook, que ainda há pouco lançaram “Olympia”, e colaboradora do próprio Godinho em “Mútuo Consentimento”) e João Correia (cantor e guitarrista dos Julie & The Carjackers de “Parasol”, mas também parceiro de Frankie Chavez, Márcia ou Walter Benjamin, por exemplo) ter-se-á uma ideia do campo de possibilidades que logo à sua frente se estendeu. Fundamentalmente, talvez por serem já tão experientes estes três músicos que ainda não chegaram aos trintas, aquela de experimentarem um som de banda num contexto habitualmente – em discos de versões – mais abrangente e variado (diz a Francisca: “a ideia de ter o mesmo grupo de músicos a fazer versões de um disco inteiro pareceu-me maravilhosa”).

Claro que a Francisca e o João são companheiros na aventura They’re Heading West, que partiu mesmo para o oeste norte-americano na altura destas sessões, conforme recorda a cantora: “eu e o Joca tínhamos voo marcado para Vancouver, onde começava a nossa digressão. Tanto que o Fachada ainda acabou algumas coisas sozinho... Ou seja, fomos seguindo os primeiros instintos e fazendo o que nos soava bem. Também por isso só canto voz principal na ‘Paula’”). Juntos, possuem uma afinidade rítmica tão intuitiva que por vezes sugerem estar a tocar o mesmo instrumento – até as síncopes e os contrapontos parecem feitos pela mesma pessoa. Mas são também, enfaticamente neste contexto, compositores e vocalistas de direito próprio que tornam cada nota essencial e cada silêncio não menos fulcral na sóbria gestão do espaço que da sua acção discorre. Fachada, com uma visão particularmente coral e contramelódica dos arranjos, estimula mais ainda esta leitura colectiva. E que a sua voz e a de Francisca se harmonizam elegantemente já se sabia desde ‘Primeiro Dia’, o tema do álbum “B Fachada é Pra Meninos” em que cantam juntos.

Sérgio Godinho, que já subiu ao palco com Fachada e Francisca no Super Bock em Stock de 2010, teve aqui um papel ideológico: foi ele que os desafiou a pegar na sua herança. Francisca sintetiza-a assim: “Tenho um respeito sem fim pelos que o gravaram no exílio. Que quem ouça a nossa versão aproveite para ir ouvir o original e também o “Margem de Certa Maneira”, do Zé Mário, e os LPs do Zeca da mesma altura. Temos muito a aprender com estes discos”. Será inevitável – e um dos méritos desta revisão, embora outro seja o de acentuar características sensuais em temas de intervenção – aplicar palavras escritas em tempo de ditadura àquele de regime democrático em que vivemos. Mas mais importante será sempre sobreviver.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Norberto Lobo "Mel Azul" (MBARI 16)



“Mel Azul”, depois de “Pata Lenta” (2009) e “Fala Mansa” (2011), é o terceiro álbum do Norberto para a Mbari. E, desconhecendo o futuro (acção que neste tempo de tantos augúrios, de tão rara, parece ter-se elevado a arte), foi apenas com a sua chegada que despontou uma ideia de trilogia jamais planeada (embora, à cautela, aqui devêssemos utilizar a palavra tríptico). Porque de facto, numa impressão reforçada por uma certa coerência gráfica e visual no objecto (crucialmente, mas não só, através da reprodução nas suas capas de quadros do pintor Michael Biberstein), não trai uma organização muito lógica esta aparentemente clássica disposição – embora, reforçamos, de todo premeditada – que parte a princípio da solitária guitarra acústica, dela um pouco se distancia (com a chegada de voz, tambura, piano e demais teclados em overdub no CD do ano passado) e em última instância a ela torna (apesar de no tema titular vir acompanhada por Sei Miguel).

Claro que aos olhos de quem, do Norberto, conhece apenas estes discos e está atento a um discreto discurso que nunca sugeriu uma precedência do compositor face ao intérprete, se revelará absurda uma introdução formal nestes termos: afinal, não nasce tudo da guitarra? A resposta a esta questão – ou a impossibilidade de o fazer em termos absolutos – comprova também a singularidade de um percurso que se revela, normalmente em palco e fruto de frequentes colaborações, muito mais abrangente do que à primeira vista parece. Pois nessas apresentações se diluem fronteiras e hierarquias – entre géneros, egos, instrumentos e ideologias – e se reforça a impressão de que, senão em duas frentes, a música do Norberto se faz, pelo menos, em duas velocidades: uma, mais imediata, reactiva e instável, manifesta-se habitualmente ao vivo, em duos e variadíssimas formações (com bateristas, saxofonistas, pianistas, etc); outra, mais durável, reflectida e constante, regista-se, por exemplo, neste trio de discos.

Não havendo uma prevalência de um modelo sobre outro (mais depressa se falará na velha ideia de dualidade expressa pela gasta expressão dos “dois lados da mesma moeda”), será importante ter consciência da correlação de forças entre si, e, naturalmente, de que nem isso terá grande permanência numa compreensão mais vasta desta produção. Da mesma maneira, será inevitável falar do passado (e daquelas sessões com Devendra Banhart, Naná Vasconcelos ou Larkin Grimm) e, no máximo, supor que a partir de anteriores experiências algo agora se projectou. Porque parte das canções que o Norberto reúne em “Mel Azul” nasce dessa combinação de efeitos de acumulação e magnetismo. De uma incessante prática e de uma forma concentrada de constituir num organismo vivo os materiais melódicos, harmónicos ou técnicos previamente ensaiados, mas também as pessoas e os lugares. Nessa perspectiva, este novo álbum, ficamos com essa impressão, afigura-se como a mais elementar tradução de um tempo e um espaço específicos realizada pelo Norberto desde a sua estreia com “Mudar de Bina” (2007).

“Mel Azul”, como o que lhe antecedeu, tem tanto de culto quanto de oculto. Após um “Fala Mansa” em que esteve só, Norberto regressa a interpretações (de dois temas do seu irmão, Manuel, que todos conhecem de meia dúzia de filmes, certamente do “Tabu”, e de que só alguns terão ouvido a obra enquanto Garcia da Selva ou REC brutus, um dueto com Marco Franco) e colaborações (desta feita com Sei Miguel, com quem partilha maturados interesses). Traz, por isso, música sobre música, sobre gente e sítios. E, mais uma vez, aprofunda um fraseado independente de constrangimentos formais que, só por prazer, assume momentâneas estruturas canónicas. Numa arquitectura progressivamente mais leve, com um sentido de tempo que nem se dá por ele, tecendo uma malha transparente em que se inscreve o silêncio, o humor e hipnóticos padrões que jamais soam forçados, esta música insólita parece-nos próxima por tão familiar nos ser já o seu criador. Mas é muito feita de inquietações só suas. E avança por caminhos que, sem ela, dificilmente estaríamos a trilhar. É que, ao contrário do que é comummente promulgado, nada disto alguma vez aconteceu e dificilmente tornará a acontecer.


Norberto Lobo, guitarra
Sei Miguel, pocket trumpet em “Mel Azul (Moebius)”

Canções por Norberto Lobo excepto “Enzo Fought Back” (Manuel Lobo) e “Lisboa Ginásio” (Manuel Lobo & Norberto Lobo)
Gravado, misturado e masterizado no Golden Pony Studio (Lisboa) por Eduardo Vinhas e Pedro Magalhães
Design por Mackintóxico  Capa por Michael Biberstein, “Target”, 2011

Enzo Fought Back
Lúcia Lima
Vudu Xaile
Valsa da Greve Geral
Rustenburger Str
A Cor do Demo
Rua da Palma Blues
Golden Pony Blues
Lisboa Ginásio
Maga Raga
Mel Azul (Moebius)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

B Fachada no MADE IN PORTUGAL



Made In Portugal: O seu último trabalho tem tido criticas muito positivas. Considera que foi até ao momento o seu melhor trabalho musical?
B. F.: Gosto sempre do último disco com mais força, mas com o tempo todos os albuns vão permanecendo em cantos especiais da minha memória: tenho uma relação com os discos que não é a de um ouvinte; posso ficar para sempre apaixonado por um disco simplesmente por ter recordações fortes das gravações ou da composição.

Made In Portugal: Apesar de dar concertos ao vivo, é o próprio a dizer que não gosta muito, sendo exigente com o público. Defina, aquele que seria o seu concerto perfeito.
B. F.: Um público mínimo preparado para a imperfeição máxima. E no fim um grande banquete impróprio para a saúde.

Made In Portugal: Recentemente, em entrevista à 'Time Out' revelou que se vai afastar da música durante um ano, referindo que gostaria de surgir com banda e outro nome; "uma cena unificadora, para passar em todas as rádios". Pensa investir noutro registo musical?
B. F.: O meu trabalho até aqui tem sido muito programático. Queria trabalhar o suficiente durante estes primeiros anos para ter a certeza que desenvolvia a técnica sem me encher de vícios: variar bastante, aprender o trabalho no estúdio, descobrir a minha língua, etc. Agora que tenho todas essas ferramentas mais oleadas, seria um desperdício não tentar alcançar uma outra profundidade com elas; descansar um ano e depois atacar mesmo a sério.

Made In Portugal: Na sua opinião, o que considera, que faz falta à música em Portugal e/ou às rádios nacionais para passarem mais variedade de música?
B. F.: Faz falta diversidade. Fazem falta mais pronúncias bem cantadas, mais palavras, mais bandas (diferentes umas das outras!) e muito mais canções
[excerto da entrevista].